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jueves, 25 de julio de 2013

AS MARCAS DOS OFÍCIOS NAS LAUDAS DE SANTA MARIA A NOVA DE NOIA

Visitando em Noia a igreja-museu de Santa Maria a Nova e a sua “quintana de mortos”, atraem a atenção as numerosas inscrições lapidárias referidas a ofícios, que lavraram, ou pediram para ser lavradas, as pessoas que lá se fizeram soterrar, homens e mulheres. Na arte românica as representações de trabalhos e trabalhadores são numerosas, o que explica que um capítulo do meu livro Tiempo, historia y sublimidad en el románico rural, esteja dedicado a esta questão. Mas o que se observa em Santa Maria a Nova é excepcional.
        
Admite-se que provavelmente seja a maior acumulação de laudas medievais com símbolos do trabalho manual de toda a Europa, pertencentes a imensa maioria ao medievo. Por isso e por outros motivos, o assunto demanda uma investigação cuidadosa e de longa duração, da qual este artigo é apenas uma modesta e muito incompleta seção.
        
Sobre o rude granito encontram-se signos próprios dos carpinteiros, de ribeira e de terra, os moinheiros, os mercadores, os xastres, os serradores, os marinheiros, os tecedores, os canteiros, os peleteiros, os padeiros, os toneleiros, os pescadores, os sapateiros, os carniceiros, os ferreiros, os tratantes, os cereiros e outros muitos ofícios artesanais. São soterramentos de trabalhadores e trabalhadoras, como por exemplo Maria Fernandes, ou Maria de Noiha, natural da vila e falecida em 1422, cuja lauda leva gravadas as ferramentas de quem tem por ofício a carpintaria de ribeira, mesmo que esta fosse achada na Crunha. Admite-se que a imensa maioria destas laudas se fizeram nos séculos XIV e XV, embora possa haver alguma de datas anteriores e várias dos séculos posteriores, até o XIX. Certamente, também há laudas senhoriais, mas estas são secundárias no conjunto.
        
A igreja, consagrada em 1327, foi originariamente de uma só nave, em estilo ogival com alguma rememoração românica, cabeceira retangular (o que é mui pouco usual) e mínima espadana sobre a portada principal, decorada com peças escultóricas de factura pobre, o que contrasta com a magnífica roseta. Carecendo de torre, o conjunto oferece uma imagem apegada ao chão, humilde e entregada.
        
Acostuma afirmar-se que se trata de uma construção senhorial, e mesmo há uma inscrição que parece confirmar essa hipótese, mas o seu aforo reduzido e a formidável presença dos ofícios manuais faz suspeitar que estejamos, em verdade, ante uma igreja de concelho, ou popular, na que as agrupações e irmandades de trabalhadoras e trabalhadores tiveram funções decisivas. É preciso lembrar que a magnífica, por bela e sublime, basílica de Santa Maria a Maior de Ponte Vedra, de princípios do século XVI, erigida em estilo gótico e isabelino, foi levantada polo Grêmio de Mareantes da cidade, que agrupou os ofícios do mar.
        
Nesses séculos o trabalho manual possuía um reconhecimento e prestígio formidáveis, e as laudas da “quintana de mortos” de Noia é uma manifestação disso. Os trabalhadores não eram apenas proprietários dos meios de produção e da ampla maioria das matérias primas (que acostumavam conseguir-se nos imensos espaços comunais), mas organizavam também desde a sua soberania e autonomia o ato laboral, desde o início até o fim. Era um trabalho sem chefes nem patrões, onde cada artesão, ou cada obradoiro, polo geral pequeno e de tipo familiar, se auto-organizava, sem mais hierarquias do que as naturais, provenientes do bom fazer, o saber e a experiência.
        
Desconheciam também um dos piores flagelos do trabalho não-livre contemporâneo, a especialização. Quando se nos diz que quem se fez enterrar sob uma lauda determinada era, por exemplo, carpinteiro, ou ferreiro, ou toneleiro, não pensemos que a pessoa dedicasse a esse ofício tudo o seu tempo laboral. De jeito nenhum. Adicionalmente, tinha sempre uma horta, dispunha de gado e aves de curral, praticava a pesca, a caça e a coleção de frutos e ervas silvestres, reparava quando era preciso o telhado da sua casa e sabia fazer dúzias de ofícios mais. Um deles ocupava-o principalmente e por ele se definia.
        
Ainda, o tempo do trabalho era limitado. Existiam, em primeiro lugar, uma notável quantidade de feriados, talvez uns 150 por ano, e cada dia laboral tinha duração limitada. O trabalho estava também unido a variadas manifestações de festa e gozo, na forma de canto, música, recitação, albaroques e celebrações. Não estava presente essa catastrófica diferenciação entre o laboral e o festivo que hoje existe, e que faz intolerável o primeiro e degradante o segundo.
        
Não deve considerar-se que estes artesãos operassem para o mercado. Por vezes usavam o numerário, mas em outras muitas ocasiões realizavam intercâmbio de produtos salvaguardando a justiça comutativa, exigindo que cada qual recebesse bens com tanto tempo de trabalho médio incorporado como os que ele entregava. O crescimento da pressão tributária resultante da emergência do ente estatal castelão, e também a expansão do comércio marítimo de longa distância, a partir do início do século XV, ampliou a circulação monetária e fez retroceder os sistemas de troco, mas sem eliminá-los totalmente.
        
Estes trabalhadores, em efeito, padeciam da exploração, pois pagavam tributos à coroa de Castela, fosse de jeito direto ou através dos senhores territoriais, laicos ou eclesiásticos. Mas era simples, ou única, e não tinha lugar no ato produtivo mesmo, provindo do sistema político.
        
Hoje, no regime salarial, os trabalhadores sofrem uma dupla exploração: a que enriquece o empresário e a que fortalece o Estado, com os impostos. Ainda, carecem de toda liberdade no ato do trabalho, que nem dirigem, nem ordenam, nem planificam, nem organizam, sendo simples instrumentos do patrão, que torna a empresa em hierárquica e militarizada, servindo-se da tecnologia para maximizar o seu poder. Assim, as tarefas laborais são crescentemente parceladas e especializadas, mutilando o produtor. No seu conjunto, o trabalho assalariado destrói a pessoa criando seres-nada, convertendo a produção num tormento que origina inumeráveis doenças físicas e especialmente psíquicas, e que empurra milhares de pessoas ao suicídio cada ano.
        
A grande revolução emancipadora da Alta Idade Média, séculos VIII e IX, libertou e dignificou o trabalho de muitos jeitos. Deu cabo ao sistema escravista, liquidou o Estado (mas não por completo), que no fim do Mundo Antigo se tinha convertido em opressor principal dos trabalhadores ao regular coercitivamente toda a atividade laboral, e eliminou a grande propriedade. Com estas transformações de signo revolucionário reduziu a nada o estigma sobre o trabalho manual, que era tido anteriormente como uma tarefa indigna, vil y oprobriosa. Este trabalho produtivo libertado que surge daquele grande câmbio civilizador é o que se manifesta com orgulho na arte românica e posteriormente, nas laudas de Santa Maria a Nova de Noia. Com tudo, ao estar submetido a um sistema de tributação em benefício da instituição da coroa, contém um fator regressivo inicialmente pequeno mas que se irá desenvolvendo com os séculos, infortunadamente.
        
O monacato cristão revolucionário, que foi a força motriz da revolução civilizadora da Alta Idade Media, fez da obrigatoriedade, por sua vez espiritual, económica, política, convivencial e ética, do trabalho manual um dos seus pontos de diferenciação com o monacato institucional e conformista. Fazer as cousas com as próprias mãos, sem por isso desdenhar, nem muito menos, o uso de ferramentas e máquinas (em particular as movidas pola força da água), era questão mantida com todo rigor nas regras monásticas daquela tendência. Desse jeito realizaram uma achega cardinal à regeneração integral da Europa, devastada polos impérios conquistadores e agressores, o romano e os que o sucederam, todos eles envilecedores do trabalho, ao fazê-lo submetido e não-livre.
        
Santa Maria a Nova, no que possui de mais emblemático, não se pode compreender sem compreender com rigor e exatidão essas regras monásticas.
        
O trabalho manual e produtivo livre é uma via para a elevação e melhora da pessoa. Ao praticá-lo realiza-se o indivíduo como sujeito de virtude e ser humano integral. A grande mutação da Alta Idade Media tinha como um dos pontos essenciais do seu programa a universalização do trabalho manual, para assim fazer impossível a escravidão e a exploração, para além de autoconstruir a pessoa. Por isso, todas e todos deviam trabalhar com as suas mãos. E isto fazia-se com orgulho, pois era um ato livre, autodeterminado, criativo, coletivo (ao estar assentado na ajuda mútua), de intensidade, ritmo e duração limitados, não parcelado nem especializado, organizado polos próprios produtores, vinculado à festa, alheio à cobiça e à vontade de poder.
        
Nalgum texto qualifica-se de “lápidas gremiais” as de Santa Maria a Nova, o que deve ser matizado. Uma cousa são as irmandades e confrarias livres de trabalhadores, que foram muito numerosas no medievo, a grande época do trabalho manual autónomo, e outra os grémios. Estes organizavam os artesãos das cidades conforme os interesses das instituições. Aquelas existiram primeiro e posteriormente algumas degeneraram em grémios. É duvidoso que em Noia houvesse sociedades gremiais com anterioridade à segunda metade do século XV, ainda que este assunto precisa ser investigado. Portanto, o mais provável é que a imensa maioria das laudas sejam alheias, por anteriores, à ordem gremial, que teve o seu melhor momento em datas tardias, nos séculos XVII e XVIII.
        
Um ponto fundamental que os estudos publicados sobre Santa Maria a Nova não acostumam tratar é a natureza da ordem política daquela existente em Noia. Não sabemos quase nada do seu concelho, em tanto que concelho aberto, de ordem assemblear. A igreja erige-se nuns anos dramáticos para todos os territórios submetidos à coroa castelhana, os do rei Afonso XI (1312-1350), que propícia e impõe o passo do concelho aberto ao concelho pechado ou regimento (governo municipal designado pola coroa) em numerosas vilas e cidades, às vezes contra a vizinhança e outras contando com a resignação, a indiferença e até a culpável colaboração das classes trabalhadoras locais. Também não sabemos muito do seu direito consuetudinário, o de criação popular, ainda que há notícias de que no século XIII é elaborada uma carta foral na vila de Noia.
        
Necessitamos conhecer a ordem política assemblear que deveu existir em Noia, e o seu processo de desnaturalização ou extinção, assim como as condições em que esta teve lugar. Isto continha uma grave ameaça, não por diferida e subterrânea menos certa, para o trabalho livre e associado próprio do mundo medieval nos seus tempos de esplendor. Da ordem política despótica surgiu, andando os séculos, o trabalho semi-servil e desumanizador contemporâneo, que resultou numa imensa catástrofe civilizacional.
        
A lenta mas inexorável degradação da ordem política e dos sistemas de trabalho em Noia, em toda a Galiza e no resto da península Ibérica, por causa da ascensão do poder estatal na forma da instituição da coroa castelhana, põe-se de manifesto com a, aparentemente, rápida diminuição das laudas dos ofícios a partir do século XVI em Santa Maria a Nova. O mesmo se observa nos diversos estilos artísticos. A ordem românica, séculos XI até inícios do XIV, possui numerosos cenários de trabalho e bastantes representações de trabalhadores, sobretudo escultóricas, mas a arte ogival, que emergiu imediatamente depois, muitas menos, e a gótica, que é a culminação daquele, muito poucas, para desaparecer quase na sua totalidade nas diversas expressões do estilo renascentista.
        
Os trabalhadores são expulsos da arte passo a passo, a medida que os efeitos emancipadores reais da grande revolução da Alta Idade Media são subvertidos. O mesmo ocorre nos lugares de soterramento. Já no século XVI, e mesmo antes, emerge com força a ideia de que o trabalho manual é “degradante” e impróprio de pessoas de qualidade, o que leva a que os ofícios já não se ostentem com orgulho senão a que, em ocasiões, se velem e ocultem com vergonha, também nas suas expressões funerárias.
        
Uma questão curiosa, considerando a data na que se erigiu o templo, 1327, e a importância que nela tem a “quintana de mortos”, é conhecer que aconteceu com todo o conjunto na crise do século XIV, quando o número de habitantes diminuiu de maneira dramática e a peste negra golpeou o ocidente europeu de forma intermitente, até os anos iniciais do século XV. Esta crise, realmente apocalíptica (morreu entre 25% e 50%, segundo os territórios), veio unida a uma atroz mudança política regressiva, o retorno aos sistemas de governo despóticos com a extinção das formas participativas assembleares nas grandes populações. Provavelmente aquela possa ser explicada a partir desse rotundo transtorno envilecedor da ordem política. Como foi em Noia a aterradora crise do século XIV, convertida em expressão muito real da enorme catástrofe coletiva? Incrementou-se ou não para essas datas o número de laudas, imaginando que isto possa ser averiguado?
        
Para compreender de jeito razoavelmente completo a Noia que erige Santa Maria a Nova e o seu cemitério (ainda que este, quase com certeza, já existia com anterioridade), precisamos conhecer muito melhor a ordem assemblear e de concelho da vila, assim como a sua crise a partir da metade do século XIV, os sistemas de organização do trabalho com a ajuda mútua, o regime comunal integral existente, a sua vinculação mercantil com territórios afastados através das rotas marítimas, as formas de organização jurídica e militar imperantes, as relações entre o artesanato urbano e o universo rural circundante, a situação da língua galega e o estado da cultura de elaboração e transmissão oral própria das classes populares. Com isso poderemos compreender melhor essa realidade imensa que é a acumulação de laudas sepulcrais com signos dos ofícios que se acham nesta magnífica vila galega.

martes, 23 de julio de 2013

Carta de un amigo sobre la sociedad rural popular tradicional: “Un modo de vivir, de pensar, de sentir, de ser”.

Con gran emoción y entera satisfacción he leído esta carta que me manda un amigo, para mí, totalmente desconocido hasta este momento. De las muchas cartas de apoyo y reconocimiento que vengo recibiendo, he considerado oportuno publicar ésta, -con su permiso, naturalmente- en particular y esencialmente por la humanidad, sinceridad, implicación emocional y valentía que desprende, por esa capacidad para comprender –en su esencia- la naturaleza autosuficiente, convivencial, fraternal, de ese mundo heredero, ya casi extinguido, de la sociedad rural popular tradicional; visto además, desde una perspectiva de “ida y vuelta”, desde la propia experiencia personal, después de haber vivido –con profundo desengaño- el mundo del urbanismo, industrialismo, progresismo e intelectualismo propios de fines del siglo XX.
Con su narración, hecha desde lo más hondo de su propia experiencia vivencial, muestra un ejemplo de actitud reflexiva y clarividente respecto del mundo de la sociedad rural popular, frente a la alienación y mediocridad del mundo de la actual sociedad hiperurbanizada, dehumanizada, y tecnologizada; con respeto y admiración se refiere a esa actitud de la capacidad del pueblo de “hacerlo todo y para todos” frente a las lamentaciones pedigüeñas e inútiles de los lacayos del Estado de bienestar que lo esperan todo del Estado y nada del Pueblo.
Reconocer, además, que actitudes como esta, en su ejemplaridad, van en la línea de la autoconstrucción de un sujeto de calidad, en lo moral, imprescindible para afrontar las metas más elevadas que han de dar auténtica dignidad al ser humano, permitiendo la preservación de la esencia concreta humana.
Gracias, Sergio.  Félix R. Mora

Hola, Félix

Te envío estas palabras, no para deleites nostálgicos, pues añorar tanto el pasado puede conducirnos a pegarnos un tiro; tampoco para presumir de "otro mundo" que conocí, los restos de un cadáver: el mundo rural tradicional; tampoco para ser crítico... La finalidad de este escrito, es agradecer una labor, la suya. Un hombre valiente, que se enfrenta a ese "monstruo multicéfalo", que pone orden, que dice la verdad, y que da la cara. No pretendo decirte nada que no sepa usted.

Para mí, usted es el único intelectual de este "país" , poco valorado, calumniado, ridiculizado,... es decir, lo que impera hoy; está siendo lapidado con sambenitos, las etiquetas de siempre, fabricadas en "laboratorios", con una finalidad, hacer de este mundo lo que hoy es. Personas que han leído o escuchado sus reflexiones, quedan perplejas porque causa cortocircuito mental, ya que se dan cuenta de la programación que sufren.

Hace mucho tiempo, se diseñó un mecanismo de pensamiento que se alimenta de lo ilógico, es imparable, y si intentas limpiar, te ensucias. Aquí le entrego mi experiencia personal y mis reflexiones. Espero sea de su agrado.



domingo, 21 de julio de 2013

ATROCES VACACIONES

Nos destruimos trabajando y nos destruimos con el ocio: este es hoy nuestro destino.
        
En el “mundo feliz” del capitalismo avanzado y del Estado de bienestar (esto es, del Estado dador de felicidad a la plebe) la época vacacional llega con los calores. Es el momento de escapar, de huir en tromba, llenos de apresuramiento, ansia y furor, hacia los supuestos placeres programados y el pretendido goce otorgado. Aguardan horas y horas de tumbarse al sol en las playas cada día, excesos con la comida y el alcohol[1], frecuentar prostíbulos, viajes nihilistas (quizá los más patéticos sean los denominados “turismo revolucionario”), consumir aún más tiempo ante las pantallas, desde TV a internet, haraganear, en suma autoagredirse, rebajarse y envilecerse.
        
Así, a la vuelta a la normalidad laboral el sujeto es, año tras año, un neo-siervo más perfecto, más integrado en el sistema, más dócil y sumiso, menos humano.
        
Dicen que las vacaciones pagadas son “una conquista de los trabajadores”. Curioso: no hay luchas pero hay “conquistas”. Con esa demagógica calificación los turiferarios del sistema continúan presentado las imposiciones de éste, que van a degüello contra nuestra condición de seres humanos, como fabulosos “logros” resultantes de unas pretendidas “luchas” que nunca han existido. Bajo el Frente Popular francés, las y los trabajadores de ese país, en 1937, escogieron las vacaciones pagadas en vez de la revolución. Con ellas sirvieron todavía más sumisamente a sus amos, hasta hoy. Tal asunto retrata a la perfección, dicho sea de paso, al Frente Popular en tanto que proyecto para hiper-esclavizar y deshumanizar.

El trabajo asalariado, sobre todo en su forma actual, científicamente organizado y cada día más tecnologizado, es devastador, literalmente. Demuele al ser humano, le revienta, hace astillas y tritura, de una manera tan minuciosa como eficaz y total. El desplome psíquico y físico de cada vez más sectores de las clases asalariadas es una de las características de nuestra sociedad.
        
Un reciente libro, “La salud mental de los trabajadores”, VVAA, 2012, ofrece un “remedio” dentro del sistema a este problema espeluznante, que se hará todavía más grave en los próximos decenios. En él se estudian los trastornos que ocasionan el régimen salarial, esa gran “conquista” del progresismo, el constitucionalismo y las revoluciones liberales: perturbaciones psicóticas, neuróticas, cognoscitivas (¡qué terribles es esto por lo que significa de daño a aquello que es medular en lo humano!), autolíticas, estrés patológico, ergodependencias, alienación, cosificación, etc. Olvida, por cierto, la enfermedad de la mente más propia de nuestro tiempo, la depresión. Y deja en la sombra que el horror del trabajo asalariado lleva a un número creciente de personas cada año a cometer suicidio.
        
En esta situación las vacaciones aparecen como unos días en los que escapar a la tiranía de los jefes y las jefas, como un tiempo de libertad, en que el devastado neo-siervo de la modernidad “puede hacer lo que le dé la gana”. Funesta ilusión. El ocio vacacional está tan regulado, dirigido y sometido al poder constituido como el trabajo. La creencia en que las vacaciones son mejores que el durísimo afán productivo diario no está fundamentada en la experiencia. Muchas personas se van de veraneo enardecidas y vuelven… padeciendo una profunda depresión.
        
Dado que el tiempo vacacional está ahí pensemos en otorgarle un sentido emancipador, usándolo para estimular el autoconocimiento y, con él, la energía espiritual y moral del sujeto.
        
Quizá lo que más se nos ha arrebatado, en la sociedad del narcisismo y el victimismo obligatorios donde la banal retórica sobre los derechos es el todo y nadie habla de los deberes, es la capacidad de sentirnos responsables y culpables. Cada una y cada uno se cree El Bien mientras coloca la etiqueta de El Mal a sus semejantes. Forzados a ser siempre víctimas que las instituciones estatales y sus agentes sociales “liberan” graciosamente, nunca alcanzamos la plenitud de pensarnos y concebirnos culpables de algo, en lo que hacemos y en cómo vivimos.
        
Se trata de tener la lucidez y el coraje de enfrentarse con uno mismo o una misma para localizar dentro de sí nuestro propio mal interior. Valiéndonos de la serenidad creativa, el silencio restaurador y la reflexión prolongada revisemos críticamente nuestra vida en, pongamos por caso, los últimos 6 meses. Escrutemos, como si fuéramos un observador exterior, lo más representativo de lo que hemos dicho, pensado y hecho, para diferenciar en ello lo bueno de lo malo.
        
Para eso, ciertamente, necesitamos con anterioridad construir unos criterios, establecer unas normas diferenciadoras, a la vez reflexivas, convivenciales y éticas. Bien, pues que cada cual cree las suyas en unas jornadas cavilativas previas. Eso puede hacerse intuitivamente y no importa tanto la perfección del sistema de valores así auto-constituido como el hecho mismo de hacerlo de manera autónoma.
        
Detectar nuestro lado perverso exige revisar la propia vida con una valerosa voluntad de verdad. Vayamos registrando en unas hojas las conclusiones, día tras día. El ejercicio espiritual que aquí se propone es, no os quepa duda, duro. Pensar es angustiante, más si el objeto del pensamiento es uno mismo/misma. La verdad suele producir espanto. Detenerse a reflexionar, cuando todo en el orden actual es activismo descerebrado, hace chirriar dolorosamente lo más profundo del yo.
        
Planifiquemos. Un tiempo diario preparatorio, cuyo contenido ha de ser el silencio y la concentración, la relajación y la soledad. Otro tiempo, inmediatamente a continuación, para la meditación, cuya duración hay que fijar de antemano, que debe cumplirse sea cual sea el grado de desasosiego y tensión. Realizada la observación dentro de sí, hay que ir escribiendo las conclusiones alcanzadas.
Una vez cada cinco días conviene destinar todo la reflexión a releer y repensar las elucidaciones de primer nivel logradas en los cuatro días anteriores. Y se ha de registrar también lo ahora concluido, que ya se sitúa en un segundo estadio.
        
Los últimos cinco días de las vacaciones han de ser de meditación sobre los escritos del segundo nivel, para: 1) consagrar un día entero a, exclusivamente, contemplar con pesar y dolor la propia perfidia interior, desarrollando la capacidad de sentirse responsable y culpable por el mal pensado y realizado, y, 2) los otros cuatro han de ocuparse en una meditación intensa, destinada a realizar un plan de autotransformación del yo, formulando un nuevo proyecto de vida.
        
Es apropiado complementar la actividad de autoanálisis y ordenación de vida con algunas expresiones de ascetismo moderado, como el ayuno espiritual (que no busca el bien del cuerpo sino el de la mente), el abstenerse por acuerdo interior a hacer algo que guste y el obligarse a hacer algo que no guste, u otras prácticas similares.
        
Todo ello conviene realizarlo sin abandonar las obligaciones convivenciales, pues el deber del afecto y respeto a nuestros iguales es primordial, sin renunciar a formas benignas de fiesta popular, sin dejar de lado la estética y la erótica, sin incurrir en ninguna forma de extravagancia ni teatralidad.
        
Se observará que no se recomienda leer. Naturalmente, al ser lo preconizado una práctica de autoconstrucción personal realizada desde la soberanía del sujeto cada cual puede hacer lo que desee. Pero leer suele ser una experiencia pasiva, exógena y adoctrinadora. Es preferible ejercitarse en “leer” la propia existencia, rememorando cada acontecimiento, extrayendo lecciones, estableciendo juicios positivos y negativos. Eso es un modo mucho más auténtico de aprender, haciendo de la vida vivida el mejor de los libros.
        
Así es probable que consigamos empezar a sanarnos de males tan enormes como la irreflexión, la irresponsabilidad, la vida desordenada, la frivolidad, el delegacionismo, el victimismo, el odio al otro, el narcisismo, la insensibilidad moral, el zoologismo, la somnolencia mental y la falta de fortaleza interior.
        
Ahora sí, amigas y amigos, ¡buenas vacaciones!


[1] El miserable “turismo de borrachera” es sobre todo practicado en las costas ibéricas por las y los provenientes de los países del norte y centro de Europa donde el Estado de bienestar es más potente. Como esto suele convertir a sus neo-siervos en entes zoológicos, de mentes embotadas, ausencia de vida emocional y miradas vacías, para “divertirse” aquéllos no encuentran otra fórmula que atiborrarse de alcohol. A eso lleva la hiper-tutela subhumanizadora, desde la cuna a la tumba, de dichas gentes por el Estado protector y providente.

jueves, 18 de julio de 2013

NOTICIA DEL CONCEJO MEDIEVAL EN LA PINTURA MURAL ROMÁNICA DE LA IGLESIA DE TORREMOCHA DE JARAMA (Comunidad de Madrid)



IntroducciónEste artículo se dirige a favorecer la comprensión del viaje que el 5 de agosto de 2013, organizado por la asociación SAT, dedicada a la promoción del esperanto, haremos por el mundo medieval rural y concejil madrileño, tan ninguneado. Torremocha será una de las poblaciones a visitar. También estaremos en Talamanca de Jarama, posiblemente la población madrileña con una historia más rica y exuberante, desde los celtas (carpetanos) hasta el siglo XVIII, sin olvidar sus restos visigodos, la muralla, en buena parte altomedieval, y sus dos templos románicos; en Patones de Arriba, aldea medieval construida con pizarra negra; y en el enigmático monasterio de San Julián y San Antonio, en La Cabrera, expresión del primer románico (mediados del siglo XI), impresionante con sus cinco ábsides semicirculares, algo muy poco usual. Pasando a Segovia visitaremos la iglesia románica de Duratón, un ejemplo magnífico del románico porticado castellano, destinado a favorecer las reuniones del concejo abierto. Y terminaremos en Sepúlveda, visitando el Museo de los Fueros así como algunos de sus templos románicos, y rememorando la épica resistencia de su población a la liquidación por la institución real del concejo abierto, en los siglos XIV y XV. Félix R. Mora.

Torremocha de Jarama es una aldea de unos 100 habitantes, en el límite con la provincia de Guadalajara, un lugar apartado e incluso remoto, a pesar de estar a unos 50 kilómetros de Madrid en dirección noreste. Cuando se llega a ella desde la insufrible capital del Estado se percibe que si bien se encuentra próxima espacialmente está muy alejada en lo temporal, lo imaginado y lo trascendente. Ir a ella es, podría decirse, acceder a otro universo, trasladarse en el tiempo.
          
En Torremocha está el templo parroquial de San Pedro Apóstol, un pequeño edificio en el que sólo la torre y el ábside semicircular son románicos, probablemente de la segunda mitad del siglo XIII o principios del XIV. Se rehizo en el XVI, en estilo renacentista, y luego en el XVIII. La primera impresión que produce no es satisfactoria estéticamente, por una intervención restauradora reciente, que al revocar y pintar con imitaciones de sillares la parte medieval del edificio, en realidad de mampostería, otorga al conjunto una ingrata sensación de cosa artificial e inauténtica.
        
La cabecera del templo está engalanada con pinturas murales románicas. El tono bermellón, o granate, domina ampliamente, lo que da al conjunto un notable dinamismo e intensidad visual. También se encuentran el blanco, el azul verdoso, tan denso y solemne, y el amarillo. La conservación del conjunto es deficiente, habiéndose perdido una fracción de la composición. Los temas son los habituales en este estilo, el Pantocrátor con los Tetramorfos, y una parte del apostolado. La calidad de la composición y el dibujo es mediana, por detrás de la excelente utilización del color. Muy probablemente, estuvo todo él pintado, no sólo la cabecera y el presbiterio, como se encuentra hoy, sino también la nave. El conjunto debió de ser de una belleza embriagadora, especialmente por la audaz tempestad de los colores.
        
Entonces una aldea tenía arte autocreado de primera calidad. Hoy el “arte” está encerrado en los museos y las salas de subastas mientras que la realidad cotidiana resulta ser de una fealdad y sordidez deprimentes.
        
En la cabecera, una franja de imposta ofrece una inscripción, a medias conservada, en la que se lee “esta obra mando facer el conceio e los homes buenos de Torremocha e M Ruis clerigo”. El tipo de letra parece ser gótico del siglo XV, lo que desentona con la fecha más probable para la pintura mural, segunda mitad del XIII o los primeros decenios de la centuria siguiente, coincidiendo con las de otros templos de la Comunidad de Madrid, en particular Valdilecha, sin olvidar Camarma de Esteruelas, Valdelaguna, Santorcaz y alguno desaparecida en la guerra civil, la iglesia de San Mamés en Navarredonda[1].
El enorme mérito histórico, social, económico y político del mural románico de Torremocha es la referencia que hace al concejo, lo que no se encuentra, de forma explícita, en el resto de los de la Comunidad, ni en la inmensa mayoría de los edificios románicos de la península Ibérica, tampoco en los que cabe calificar, por quién los erigió, de románico concejil. Al mencionar a la asamblea vecinal gubernativa este modesto edificio aúna y anuda el pasado con el futuro: en eso reside su fabuloso mérito[2] y su muy poderosa actualidad.
        
Que la inscripción esté en castellano y no en latín manifiesta también que su factura es tardía, pero hay un modo de explicar, tal vez, el temporal desajuste con las pinturas, y es considerar que aquélla pudo sustituir a otra anterior, románica. Quienes todo lo explican invocando el “arcaísmo” y “estancamiento” aldeanos, que justificaría un uso del estilo románico todavía en el siglo XV, deberían limpiar su mente de prejuicios urbanitas y elitistas, pues que el tipo de letra sea gótica evidencia que tal orden era conocido en Torremocha, y por tanto, que pudieron hacer la cabecera del templo en este estilo. Y que una buena parte de la iglesia fuera rehecha en el XVI con una elegante mezcla de estilo renacentista y clasicista prueba que esta humilde aldea nunca ha estado, salvo ahora, al margen de las grandes corrientes del arte y el pensamiento europeos.
        
Lo que podemos saber con seguridad es que fue el concejo quien ordenó erigir el templo. O dicho de otro modo, que todo él es obra del vecindario bajo la dirección del concejo, en tanto que asamblea de hombres y mujeres, reunidos para organizarse en el trabajo comunal, en la hacendera. El vecindario, ellas y ellos, hicieron el templo e hicieron las pinturas. Ellos y ellas. La referencia a “los homes buenos” es de difícil e insegura interpretación concreta, aunque al nombrarlos detrás del concejo está indicando que aquél es quien conserva lo medular de la soberanía, de la capacidad de decidir, en la aldea. Probablemente, y considerando la situación política en Castilla en el momento de levantarse el templo y las pinturas[3], pudieron ser sujetos comisionados por el ente concejil para relacionarse con el poder real, de manera directa o indirecta, a través del señor territorial.
        
Que cite en tercer lugar al clérigo M Ruis indica que su poder en Torremocha era bastante limitado, por detrás del ejercido por el concejo e incluso por los “homes buenos”. La iglesia fue construida como edificio concejil, y en ella el pueblo seguía siendo la primera autoridad cuando se hizo la inscripción, muy por delante del clero. Éste estaba sometido al concejo en todo, y así fue hasta el concilio de Trento, a finales del siglo XVI
        
Ser hombres y mujeres libres exige comprender y recuperar nuestro pasado, en lo que tuvo de bueno y en lo que tuvo de malo, en particular nuestro pasado popular, y subordinadamente el de los notables, reyes, princesas, señores, burgueses, intelectuales preclaros, redentores varios y otras excrecencias. Entendiendo nuestra historia, mirándola con ojos fríos y objetivos a la vez que llenos de pasión y amor, repudiando todo tipo de teorías, dogmatismo y lucubraciones, ateniéndonos a los hechos y sólo a los hechos, estamos realizando una gran revolución. Y sólo la revolución puede salvar hoy al género humano, en el peor y más terrible momento de su historia, cuando lo humano periclita y lo subhumano triunfa en todos los frentes.



[1] Para sorpresa de muchos el modesto, por rural y aldeano, románico de la Comunidad de Madrid, ampliamente desdeñado e ignorado, tiene un número particularmente notable, en comparación con el de otras áreas, de pinturas murales. Quizá esto anime al ignorante, desestructurado y depresivo madrileño medio, que vive según la dogmática de la modernidad y viaja por rutina a miles de kilómetros (actividad por lo general nihilista y servil), a ocuparse de conocer sus raíces, y a no avergonzarse de ellas. En la Comunidad de Madrid perviven casi cincuenta edificios románicos de los siglos XI al XIV, total o parcialmente conservados, de los que el 10% aproximadamente poseen composiciones pictóricas, lo que es una proporción elevada. Visitarlos como ser humano que quiere entenderse así mismo entendiendo a sus ancestros, no como vil y degradado turista, mero consumidor de imágenes y de todo tipo de bazofia, es tarea apropiada para autocurar nuestros espíritus.
[2] Por eso no se puede dejar pasar sin deplorar los contenidos de la “Enciclopedia del Románico en Madrid”, VVAA, Aguilar de Campoo 2008, que al referirse a este edificio no otorga ningún significado a la mentada inscripción, realmente excepcional y aunque sólo sea por eso maravillosa, lo que proviene o bien de la ignorancia de quienes han redactado dicho texto, o bien de su espíritu antipopular y burgués. Prácticamente toda la parte analítica y explicativa de dicha “Enciclopedia” es un compendio de dislates y prejuicios, de teoréticas y dogmatismos progresistas, de malevolencias y disparates, académicos y ortodoxos. Lo que de ello resulta es una ruptura entre las gentes del hoy y su historia, entre lo que somos y lo que fueron nuestros antepasados. Falseando el pasado nos aculturan, nos atomizan, nos niegan como seres humanos. Dicho de otro modo, nos hacen cada vez más sometidos, menos personas  y más seres-nada.
[3] Un libro que trata de ese crucial periodo histórico en Castilla es “Guerra y fortalecimiento del poder regio en Castilla. El reinado de Alfonso XI (1312-1350)”, Fernando Arias Guillén, 2012. En éste el pueblo no aparece, salvo como comparsa, siempre pasivo, amorfo y borroso: no hay sistema concejil, ni derecho consuetudinario, ni fueros, ni bienes comunales, ni hacendera y otros cientos de sistemas de trabajo comunitario asociado, ni milicias concejiles. Sólo reyes y señores. ¿Se puede faltar de manera más rotunda a la verdad? Necesitamos con urgencia una historia popular. Su primera condición es que sea una historia verdadera. Frente a las medias verdades, la propaganda política y las groseras mentiras del poder académico hemos de ir creando una explicación del pasado que sea popular a fuer de emerger de una ardiente voluntad de objetividad.

lunes, 15 de julio de 2013

NUEVOS MOVIMIENTOS SOCIALES: EVOLUCIÓN Y PERSPECTIVAS. EN POS DE UNA VÍA HACIA LA REVOLUCIÓN INTEGRAL



Comunicación presentada a la 86 edición del Congreso anual de la SAT
(Sennacieca Asocio Tutmonda/Asociación Mundial Anacional),
que tiene el ESPERANTO como lengua única.
Dicho Congreso tendrá lugar en Madrid,
 los días 28 de julio al 4 de agosto de 2013.
Esta comunicación será ofrecida en ESPERANTO en dicho Congreso.
                                                           Félix R. Mora

“No pienses precipitadamente que es
justo lo que quieres,
sino que debes querer lo que es justo”
Erasmo de Rotterdam

Tratar sobre los llamados nuevos (en realidad, ya antiguos, agotados y vetustos) movimientos sociales ahora significa poner fin a lo que fue pero ya apenas es, para abrir camino a aquello que exigen las nuevas condiciones. La crisis general en desarrollo de las sociedades europeas está demandando una estrategia global de naturaleza revolucionaria global, no proposiciones sectoriales de carácter reivindicativo y especializado, con un significado adaptativo, actualizador e integrador en el sistema, como han sido y son los nuevos movimientos sociales, y eso sólo en el mejor de los casos.

Tales expresan una forma peculiar de conservadurismo, un modo de coexistir con el statu quo, una renuncia continuada a crear un nuevo orden social, un nuevo ser humano y un nuevo sistema de convicciones y valores. Emergidos en una etapa de prosperidad y estabilidad del capitalismo así como de rápido crecimiento del poder de los Estados sobre los pueblos y el individuo, vale decir, en una fase de optimismo contrarracional, vaciamiento de las mentes, dominio del credo socialdemócrata y explosión de decadentismos, su ejecutoria ha sido y es la de “radicalismos” de integración en la muy destructiva sociedad de consumo con Estado de bienestar.

Al ser un epifenómeno de la época de consumismo de masas, ya en retirada, ahora están en reflujo y descomposición, y lo estarán cada vez más a medida que el desplome global de Occidente (sin solución en lo más sustantivo si no hay revolución) avance.
        
Es cierto que en los años en que nacen y se desenvuelven los nuevos movimientos, en los países desarrollados de Europa y América, una revolución social, entendida como la destrucción por la presión popular del poder estatal y empresarial, era imposible. Pero sí era posible preparar las condiciones para una futura gran conmoción regeneradora y civilizante, con un esfuerzo múltiple de desarrollo del factor consciente, combate por la verdad, ardor por la virtud, autoconstrucción del sujeto y autoorganización popular más allá de las reivindicaciones inmediatas. Nada de eso se hizo. Se sacralizaron metas parciales, enfoques cotidianistas y luchas simplemente reformadoras, y eso fue todo, en el mejor de los casos. En el peor emergen como operaciones políticas e ideológicas urdidas desde el poder del Estado para realizar maquiavélicas operaciones de ingeniería social, tal es el caso de la contracultura, el movimiento hippie, al “antirracismo”/racismo antiblanco y varios otros. Así se pretendió negar a la revolución todo futuro.
        
Hoy, cuando ese futuro malogrado se ha hecho presente, tenemos que reclamar a los nuevos (ya viejos y seniles, en realidad, como se dijo) movimientos sociales que reconozcan sus errores y nocividades, rectifiquen su discurso y programa y se adhieran al proyecto de revolución integral.
        
Ahora, con la gran crisis de las sociedades europeas, es probable que se constituyan condiciones objetivas para la revolución, no de inmediato pero sí en los próximos decenios. Por eso es necesario repudiar el proyecto socialdemócrata y neo-reaccionario de los movimientos sociales, por lo demás, cada día más marginales y anticuados en todos los sentidos.
        
Hay un motivo más para realizar su crítica. Reside en que su mitificación, realizada más allá de toda medida, toda prudencia y toda consideración ética, atenta contra la creatividad, autonomía y mismidad de la juventud actual, a la que se presentan acontecimientos y formulaciones de hace ya medio siglo como los modelos a seguir e imitar de manera obligatoria, hoy y siempre. No.
        
Cada generación tiene que buscar sus propios caminos y desarrollar renovados enfoques, contenidos y modos de compromiso e intervención. La juventud de la hora presente puede ser casi cualquier cosa menos dócil, imitativa y seguidista, pues las circunstancias sociales y la evolución de los factores de la conciencia han constituido un escenario global bastante diferente al de entonces. En consecuencia, el texto que el lector o lectora tiene ante sí busca fomentar el impulso creador en una juventud que, por el momento, lo posee en exigua medida.
        
Ya metidos en esta materia conviene decir que una acerada acusación contra los movimientos es, precisamente, el conformismo y no-creatividad, en todos los terrenos, de la juventud actual. Ésta es una masa pasiva y repetitiva, escasamente creativa, más bien conservadora y bastante resignada, meramente preocupada por su supervivencia material, lo “práctico” y lo cotidiano. Dado que los disvalores y las metas deleznables de los nuevos movimientos sociales son los oficiales de la actual sociedad, en la experiencia se evidencia cuál es su verdadera significación y propósitos.

Nota: El folleto, al que se hace referencia en la nota 16, se puede consultar en "Punk: Arte, Ideología y Revolución"